Festa folclórica, em homenagem a São Sebastião,
realizada em 3 de fevereiro de cada ano, teve como
origem as lutas travadas entre mouros e cristãos, para a
supremacia de suas religiões.
Formam-se dois grupos distintos, os Mouros, trajados de
vermelho, e os Cristãos, trajados de azul. Cada grupo é
formado por um Sargento abre-alas e vários Soldados. Os
Oficiais (Capitão, Embaixador e Alferes) portam à cabeça
chapéus de palha dobrados na frente, forrados de pano da
cor de seu Bando, encimados por uma pluma e enfeitados
com papel laminado, fitas e medalhas. A roupa é da cor
do Bando com um manto às costas, tudo enfeitado. Os
Mouros levam no centro o Sol em papel laminado e de cor
amarela e os Cristãos levam no centro do manto a Cruz de
Cristo em papel laminado branco. Portam ainda: o
Capitão, lança (pique) e espada; o Embaixador, espada, e
o Alferes, espada e a bandeira do seu Bando. Os
Sargentos e os Soldados trajam roupas mais simples:
calças, túnicas e capacetes de papelão, forrados com
pano da cor de cada Bando, vermelho ou azul. As roupas e
os capacetes têm as cores do grupo a que pertencem e,
tanto elas como os capacetes, são enfeitados de fitas,
papel laminado, espelhos pequenos e redondos. Os
Sargentos e os Soldados portam um par de espadas
simples.
Os grupos percorrem as ruas em alas, tendo ao centro os
Oficiais (Capitão, Embaixador e Alferes). Os Sargentos e
Soldados os ladeiam, não cantam, e marcham ao som de uma
flauta de bambu e tambor. Para cada ato existe um toque
musical da flauta.
Ao percorrerem as ruas, quando se encontram, à distância
de 50 metros, param, trocam embaixadas, cada Capitão é
conduzido por dois Soldados de seu grupo para o centro
do espetáculo e, a fim de impor suas crenças, são suas
embaixadas transmitidas pelo Embaixador de cada grupo,
após o que, retorna cada um a seu grupo. O lado
adversário emprega o mesmo método de embaixada. Não
chegam a um entendimento, e os Capitães com as lanças
puxam os seus grupos para um confronto, para a luta,
batalhando cada qual com o seu par. A luta é
interrompida pelos Capitães que interferem junto a seus
comandados, usando a lança.
Na embaixada à frente da Igreja, antes da procissão, os
Mouros tomam dos Cristãos a imagem de São Sebastião e a
detêm no seu forte (quartel), devolvendo-a em seguida
para a procissão pelas ruas da cidade. Após a procissão,
os Mouros são presos e cada Cristão segura seu par
amarrado com lenço atado ao braço e cada par dispersado
sai do grupo para vender o prisioneiro às pessoas que
encontra, a fim de prestarem serviços gerais. Os que são
comprados são libertados adiante e, a seguir, são presos
e vendidos novamente, e a cena se repete. O produto da
venda dos Mouros o par divide entre si para tomarem
bebidas. Assim termina a festa.
O novo festeiro (para a Festa em geral) do ano seguinte
é aquele que se propuser a tirar a lança (pique) do
Capitão dos Cristãos.
Autor: José Fontes Almeida |